Rua Luciana
de Abreu, 450
90570-060 Porto Alegre, RS.
Telefone (51) 346.5020
|
Xico Stockinger

"Eu chamo as pedras de descanso do guerreiro. Dão alguns calos na mão, cansam um pouco os braços, mas aquele martelar incessante, monótono, é um negócio que relaxa a mente da gente, descansa a vista, porque são coisas mais sensuais, em que se tem vontade de passar a mão."
Xico Stockinger
As obras de Francisco Stockinger em que essa relação se coloca possuem formas habitualmente arredondadas, formando elipses ou círculos irregulares nos quais os vazados, os buracos, estão, normalmente, em posição relativamente centralizada; eles acompanham, em parte, o contorno da obra ( sem chegar a imitá-lo ). Eles criam uma tensão entre o que está dentro e o que está fora da escultura, lembrando que essa dialoga ativamente com o espaço no qual se insere.
Essas formas permitem ao espectador ver "através": através da própria escultura, mas para algo que é ressignificado por sua presença, seja um pedaço de parede, seja um fragmento de paisagem. Esses últimos, simultaneamente, passam a fazer parte da obra ( estar dentro ) e mantêm-se fora dela. Esse movimento ressignifica, também, as relações da obra com seu entorno.
É interessante notar que o escultor não usa habitualmente pedestais para suas formas maciças e verticais, no entanto, eles são utilizados em quase todas as obras em que se coloca a questão do vazio. É como se essas necessitassem de um elemento tradicional na história da arte ocidental para afirmar sua legitimidade como esculturas.
|