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NEWS - NOVEMBRO DE 2002
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Zero Hora 12/11/2002
Segundo Caderno pag. central ROGER LERINA Xico troca matéria pelo verbo
O autor vai avisando logo na abertura de suas Memórias: "Faço questão de ser lacônico". Meia verdade. Nas 128
páginas do volume que autografa hoje, às 19h, na Feirado Livro, junto ao monumento aos poetas Carlos Drumnnond
de Andrade e Mario Quintana esculpido por ele, o artista Rico Stockinger revela-se mais do que Via.Nos textos curtos que se alternas com reproduções de desenhos e esculturas, o artista de 83 anos confessa; entre outras coisa, nutrir uma paixão frustrada pela aviação ter estudado meteorologia, conhecer profundamente os tipos de cactos (batizou três espécies com seu nome), torcer pelo Internacional, ser safena do (três pontes) e amar sobretudo as mulheres: "Adoro sexo, menos quando estou fazendo escultura". A idéia de reunir histórias e lembranças nasceu em fevereiro. Beth Mattos e Itamara Duarte Stockinger nora do escultor e proprietária da galeria Garagem de Arte instigaram Xico a escrever sobre sua trajetória, seus amigos, suas opiniões. O resultado é Memórias (editora Artes e Ofícios, R$ 30), que mesmo não se pretendendo uma autobiografa ou mesmo um perfil mais abrange, esboça um r~ do artista revelador da riqueza de seu universo estético e existencial. - Nunca pensei em escrever um livro. Saiu tudo de improviso. 'Rido o que planejei na vida saiu de maneira diferente. Que graça teria minha autobiografia? questiona um dos maiores escultores do Brasil, ex-diretor do Margs e parceiro de boêmia e arte de nomes como Iberê Camargo, Bruno Giorgi e Vasco Prado. Memórias nasceu das respostas que Xico redigia no computador às perguntas das organizadoras do livro. "O computador é meu telefone", explica o artista, surdo desde os 60 anos. A falta de audição, no entanto, não incomoda o escultor, nascido em Tmun, na Áustria, e radicado em Porto Alegre desde 1954: - Gostaria de ouvir uma música, falar ao telefone. Mas a surdez não me atoalha em nada, pelo contrário, me ajuda: não ouço o barulho das marteladas nem o tiroteio dos martelos pneumáticos. Estou sempre no maravilhoso silêncio de uma fazenda. |
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O Sul 12/11/2002 pag. 33 Kerley Tolpolar Xico Stockinger se revela. Agora através da escrita
Hoje, na Praça da Alfândega, um ícone das artes plásticas tem encontro marcado
com dois ícones da literatura: Xico Stockinger autografa, às 19h, o livro Memórias, junto à escultura em
bronze, feita por ele, que retrata o encontro de Carlos Drummond de Andrade com Mario Quintana.A idéia do livro surgiu de uma conversa informal entre o filho do artista Francisco Antônio, a nora Itamara Stockinger, e a marchand Beth Mattos, em fevereiro deste ano, em Torres. "Estávamos olhando cadernos de desenhos que o Xico possuía e nunca mostrava. Então, pensamos num livro que mostrasse alguns desenhos e contasse a vida, as histórias dele na intimidade dos jantares familiares", relembra ltamara. Nas 128 páginas, o leitor vai poder conhecer um pouco mais da trajetória do senhor de 83 anos que nasceu na Áustria, mudou-se para o Rio de janeiro e escolheu viver em Porto Alegre. Memórias reúne e-mails trocados entre o artista e Beth Mattos, a organizadora do livro. Mas, por ser todo escrito na primeira pessoa, o livro pode ser considerado de autoria de Xico, esclarece a marchand. Nas primeiras páginas, Xico dedica-se ao auto-retrato e avisa: "Faço questão de ser lacônico. Sou mais para feio, mas me dizem simpático, o que tem me salvado de ficar batendo numa tecla só. Marido sofrível; mas, sendo surdo, feio e metido a besta, era difícil ser melhor". Quem espera, porém, ler confissões e segredos de Xico, vai se desapontar. A discrição, marca deste colecionador de cactos, acompanha o livro, mas não o torna nem um pouco menos interessante. |
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Jornal do Comércio 21/11/2002 Em foco Aldo Malagoli
A exposição Malagoli e Quintana abre
hoje às 21 h na Garagem de Arte (Luciana
de Abreu 450), celebrando a amizade que
havia entre os dois artistas e a grandeza
de suas obras. A mostra reúne 40
trabalhos de
Ado Malagoli
e poemas de Mario Quintana dispostos
em painéis. A exposição foi inspirada no
livro Malagoli visto por Quintana, editado
há 17 anos pela Léo Christiano Editorial:
Exemplares do livro e vários títulos de
Quintana estarão à venda no local durante
a mostra. Visitação até 9 de dezembro, na
rua Luciana de Abreu, 450.
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ZH 21/11/2002 Segundo Caderno pag. 7 EDUARDO VERAS Inéditos de Malagoli
Será inaugurada hoje exposição que alterna trabalhos do artista com versos de Quintana
Paulista de Araraquara, Ado Malagoli foi um nome decisivo na cultura do Rio Grande do Sul.
Ele fundou o Margs (que desde 1997 incorporou ao seu o nome do pintor), ele foi professor no
Instituto de Artes da UFRGS, onde ajudou a formar artistas como Alice Soares, e, pela sua
arte, colaborou para a divulgação da pintura moderna no Estado.
Há mais de 10 anos, ele não merece uma exposição de fôlego. Mas ganha uma homenagem a partir
de hoje na galeria Garagem de Arte, no bairro Moinhos de Vento, em Porto Alegre.Um dos méritos da mostra é reunir não as grandes obras de Ado Malagoli (1906 -1994) e, sim, alguns de seus trabalhos menos conhecidos. A viúva do pintor, Ruth Malagoli, 88 anos; emprestou parte das peças e observa que quase tudo se mantinha inédito: - Nunca foram vistos. Eram coisas que a gente tinha em casa. Ruth reconhece que esses não figuravam entre os melhores trabalhos do marido: - Tudo que ele produzia, ele dava ou vendia. Eu fiquei sem nada. Os quatro ou cinco óleos que eram bons e estavam comigo, doei para o Margs. O museu é a melhor maneira de perpetuar a imagem dele. Além das pinturas da viúva, a mostra na Garagem de Arte inclui pinturas e desenhos de colecionadores particulares e do acervo da própria galeria. Há trabalhos ali representativos de diferentes vertentes da produção de Malagoli: os casarios que o tornaram célebre e ainda paisagens campestres, retratos, figuras orientalizadas, um Cristo e uma natureza-morta. Os desenhos correspondem, na maioria, a estudos de figura humana. A pintura mais inusitada do conjunto é uma cópia de uma Conversão de São Jerônimo que Malagoli pintou .quando contava apenas 16 anos. Ontem à tarde, Ruth ainda se mostrava relutante em exibir a peça: - Era um exercício de aula, do tempo em que ele era estudante. Como ficou bom, ele deu de presenta para a mãe. Na Garagem de Arte, as obras de Malagoli se alternam com versos do poeta gaúcho Mario Quintana. Trata-se de uma espécie de reedição do álbum lançado em 1985 pela Léo Christiano Editorial. O livro combinava poemas ou trechos de poemas de Quintana com reproduções de pintas de Malagoli. Fazia alusão ao aniversário de 80 anos dos dois artistas, que se comemorava em 1986. Escreveu Quintana: "No auto-retrato que me faço (...) às vezes me pinto nuvem, / às vezes me pinto árvore... // às vezes me pinto coisas / de quem nem há mais lembrança". Malagoli retribuiu: "Mario Quintana pinta seus versos com as cores vivas do sol. Às vezes de alvorada, às vezes de crepúsculo". |