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Grassmann mostra inéditos na Capital
O desenhista paulista expõe na Garagem de Arte desenhos que nunca haviam deixado o seu ateliê Está em Porto Alegre um artista que – sozinho – já é um capítulo inteiro da História da Arte no Brasil. O desenhista e gravador paulista Marcelo Grassmann, 75 anos, vem apresentar uma série inédita de desenhos na galeria Garagem de Arte. Esses trabalhos – de sugestiva conotação erótica e mórbida – nunca deixaram o ateliê do artista, em São Paulo. Ele decidiu apresentá-los na capital gaúcha para atender um convite do escultor Xico Stockinger, amigo de quase meio século. A Garagem de Arte, inaugurada no ano passado, é administrada pela nora de Xico, Itamara Stockinger. Grassmann conta que esses desenhos tiveram como ponto de partida um lied (canção) de Schubert, A Morte e a Donzela, e a lenda greco-romana de Diana e Acteon – história de um rapaz que flagra a deusa nua e, por isso, acaba devorado pelos cães da divindade da caça. – Depois de uma grande exposição no Masp (Museu de Arte de São Paulo), houve um momento em que parei de trabalhar – recorda o artista. – Comecei a fazer uns desenhos, mas sem intenção de expor. Combinava a figura de uma mulher e um homem, uma mulher e um bicho, uma mulher e a morte. Os desenhos acabaram ganhando uma inesperada conotação: ao mesmo tempo mórbida e erótica. – Até o meu filho se escandalizou – conta Grassmann. – E ele tem 40 anos. As pessoas acham que alguém da minha geração não deve se preocupar com temas desse gênero. Se um jovem faz isso, está sendo erótico. Um velho que faz a mesma coisa passa por obsceno. O que os trabalhos de Grassmann revelam é sobretudo um estupendo domínio da arte do desenho. Mais ainda: a possibilidade do belo. Alternando xilogravura, litografia, gravura em metal e desenho, o artista consagrou-se como um dos mais consistentes criadores nacionais, fiel aos claros e escuros, às linhas elegantes, às figuras dramáticas, alheio aos modismos, tendências e maneirismos da arte contemporânea. Dizia o cronista Rubem Braga que Marcelo Grassmann tinha completa autoridade para fazer o que bem quisesse: – Pode ter a audácia de cometer isso que qualquer sujeito comum apontará amanhã na parede, dizendo: “Bonito quadro!”. EDUARDO VERAS
- Zero Hora 1° de junho de 2.000
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