Sonia Ebling
Há ainda outro aspecto da arte de Sônia Ebling que eu gostaria de sublinhar, este mais especificamente plástico e escultural. Desejo falar da natureza multiposicional de muitas Ne suas esculturas. Com efeito, ainda que tradicionalmente, a escultura repouse sobre uma base, e uma só muitas peças da artista representam a singularidade de poder repousar sobre uma de suas outras fazes. 0 enriquecimento de composição que uma tal concepção pressupõe (em razão da complexidade afetando a resolução de problemas de equilíbrio e aplomb) oferece dupla vantagem: primeiramente, de oferecer a renovação da aparência morfológica da obra e, depois, de permitir, desta uma apreensibilidade visual mais completa. Todavia, parece-me, mais por esta particularidade e sua expressão do que pelas outras que venho de analisar, que Sônia Ebling jamais obedeceu, nas suas motivações e formulação, à observação de princípios estéticos ou de procedência técnica. Porque, com ela, o fator essencial de criação permanece o instinto, a sensibilidade, uma espécie de adivinhação, e dentro de uma certa medida, é menos pela aplicação de um método, do que por uma espécie de milagre constante , que a improvisação (lenta e penosa, em outros, muitas vezes), alcança os mais altos cumes da elaboração.
Denys Chevalier Trecho de catálogo Berlim e Oldemburg, 1964
Em Paris (onde veio morar definitivamente em 1959) conheci Sônia Ebling por Ter visto suas obras no Salon de la Jeune Sculpture no Museu Rodin em 1961, 1963 e 1964, como também em Comparaisons e no Salon de Realités Nouvelles que, atualmente, consagra os novos talentos. Depois, em 1966, vi sua escultura na Galeria Debret e no Museu Galliera. Conheci Sônia Ebling apaixonada por curvas e anéis, procurando dar forma aos ritmos que estão nela, e assim o fez com felicidade na Triade Spiraloide (1963) que integrava a exposição XXéme Siècle, em Paris, ao lado de outras obras. A sua não se parece com nenhuma outra; os volumes e os vazios tem nela a mesma importância. Penso que o público de apreciadores de arte reconhecerá, como eu, o valor dessa artista, um dos maiores talentos de hoje.
Pierre Courthion Trecho de catálogo Rio, 1967 Transcrito em Nova Iorque e Washington, 1969
"Sônia Ebling' se propõe uma difícil construção. Ela quer significar a sensualidade da forma possível no metal pesado, a leveza do gesto num movimento de bronze, a curva feminina em franco contraste com a dureza do material. Ela coloca alguma coisa da herança primitiva ao vitalizar os espaços com os vazios e inventa uma expressividade a partir de uma ação plena de ambiguidades. À estabilidade de suas figuras está próxima do vôo conferido pelo esto e pela postura...
No Brasil, nós desenvolvemos muito a linha clássica ocidental: Grécia, tecnologia e pré-colombiana. Sônia Ebling, como Bruno Giorgi e tantos outros, vincula-se a esta corrente.
É uma boa representante. E uma escultora sólida, perfeccionista, trabalhando com formatos varia os e, como tema pessoal, a fixação na figura feminina e nos contrastes entre o caráter sólido de sua escultura e o desejo manifesto no gesto e na postura. Terra e sonho, um retrato pertinente do mundo feminino que a artista investiga há muito tempo"...
"Sônia Ebling é uma escultora de formas depuradas, exaustivamente elaboradas e equilibradas. As suas esculturas incorporam as conquistas iconograficas da escultórica contemporânea. O que significa que a artista bebe nas formas pré-colombianas, africanas e egípcias. Essa procura de fontes, na verdade os próprios meios .que informam a escultura contemporânea, faz com que seu trabalho se aproxime, por parentesco de origem, com a elaboração de Henry Moore, Brancusi, Giacometti, Marino Marini, Etc.
O trabalho de Sônia Ebling procura o equilíbrio sobre todas as outras coisas e é capaz de emprestar às mais diversificadas formas e imagens um toque comum, pessoal, pessoal, algo de próprio e individual que, talvez, possa ser traduzido como harmonia e ritmo".
Jacob K1intowitz
"A escultura tem poucos bons representantes. A maioria dos que tentam a difícil, exigente e onerosa arte não consegue atingir sequer nível satisfatório. Prevalece, isso sim, a improvisação, o artesanal, o decorativo, a obra repetitiva. Seguidas exposições (individuais ou coletivas) atestam essa constatação. Daí que as peças em bronze criadas por Sônia Ebling destacam-se de muitos de seus, digamos, concorrentes, exatamente porque ela transmite força e coerência em seus trabalhos. Às suas figuras, em geral abordam a imagem da mulher, apresentam formas ricas de ritmo e de movimento.
No simbolismo de abraços amorosos, meros exercícios físicos ou coreográficos, ou personagens com aves ou em tempo de música, as obras da artista expressam vida e poesia"...
Ivo Zanini Folha de São Paulo
Os relevos de Sônia Ebling, em sua aparente simplicidade, são o resultado de longos anos de aprendizado, trabalhos e pesquisas... São obras mais intimistas, mais concentradas transpondo as fronteiras convencionais entre a escultura e a pintura, criando algo de pessoal, marcante, essencial.
Marc Berkowitz - trecho de catálogo Rio 1967
O que caracteriza as criações de Sônia Ebling é a lenta depuração de sua obra. Durante os vinte anos que tive o privilégio de conhecê-la, pude seguir uma evolução contínua e segura, que a leva à austeridade de meios e à pureza de resultados.
Wladimir Murtinho trecho de catálogo Brasília - 1968
Nasceu em 1928 no Rio Grande do Sul. Atualmente vive e trabalha
no Rio de janeiro RJA partir de 1944 inicia seus estudos nas
escolas do Rio Grande do Sul e Rio de janeiro onde obtém graduação
em escultura e pintura.
1951 - Já no Rio de janeiro conquista o Prêmio "Isenção de juri".
Expõe na I Bienal de São Paulo.
1952/53 - Salão Nacional de Arte Moderna (Rio de Janeiro)
1954/55 - Prêmio Salão de Arte Moderna (Rio)
Cursos complementares na Europa.
Expõe na III Bienal de São Paulo.
1956/59 - Inicia seus estudos com Zadkine em Paris e viaja pela Europa expondo.
Expõe no Vão de la Jeune Sculpture" no Museu Rodin Paris.
Bienal de Arte Tri-Veneta em Pádua, Itália.
Medalha de prata Exposição Pan-Americana.
Individual Galeria Gea, Rio de janeiro.
1961 - Expõe no "Salon des Bronzes" no "l'art Latino 0 Américain"
e no "Forme et Mágie" ambos em Paris. Museu de Kassel, Alemanha.
1961 - Museu Rodin, Paris, Exposição Internacional.
1962 - Expõe na Galeria Neufville, Paris. Museu de Arte moderna, Paris.
Coletiva em Kassel, Alemanha. Expõe na Galerie Xxeme Siecle, Paris.
Museu Rodin, Paris no "Salon de Ia Jeune Sculpture".
1963 - "Formes e Mágie', Bois de Bologne, Paris. Expõe no Salon de
Réalités Nouvelles, Paris. Faiga Ostrover e Sônia Ebling, Berlim, Alemanha.
Expõe na Rathaus-Berlim-Kreusberg, Alemanha.
1964 - Prêmio Fundação Calouste Gulbenkian. Museu Rodin,
Paris "Salon de Ia Jeune ScuIpture" Salon Comparaison, Paris.
Expõe em Oldemburg, Alemanha.
1965 - Em Cannes, França, Galeria Cavalero. VIII Bienal de São Paulo.
1966 - Museu Galliera, Paris.
Galeria Bonino, Rio de janeiro.
1967 - Galeria Ibeu, Rio de janeiro.
Prêmio Salão Nacional Belas Artes.
1968 - Convidada para Pan-American Union, Washington, EUA.
Prêmio Escultura, jornal. do Brasil.
Expõe no Trade Bureax, New York, EUA.
1969 - Execução Relevo Parede, Palácio dos Arcos Relações Exteriores, Brasília.
1970 - E no Internacional Itinerante, Hofheim, Alemanha, França,
Bélgica, Holanda, Suíça e Itália.
1971 - Galeria Couturier, Sanford, Conn. EUA.
1972 - Galeria Bonino, Rio de janeiro.
Execução para o Banco do Brasil BH, escultura "Sophia" em bronze 3,10m.
1973/78 - Execução de peças monumentais para várias empresas, Museus e
filiais do Banco do Brasil em Amsterdan, Santiago, Milão, Paris
dentre outros.
1980 - Galeria Skultura, São Paulo.
Museu de Arte Moderna, São Paulo.
Galeria de Arte Ipanema, Rio de janeiro.
Galeria Abreu, New York.
1985/90 - Coleção Volkswagen do Brasil.
Anuário Latino Americano. Museu Dusseldorf, Alemanha.
Coleção Gilberto Chateaubriand.
Sculptores From Brasil, New York, EUA.
1990/95 - Galeria A.M., Belo Horizonte.
Galeria Skultura, São Paulo.
Numerosos trabalhos de vulto em coleções particulares, em
Museus MAM e MASP São Paulo.
1995/99 - Galeria Marcus Vieira, Belo Horizonte.
Grandes Artistas do Rio Grande do sul.
Tridimensionalidade na Arte Brasileira do Século XX, São Paulo.
1999 - Selecionada pelo Comitê Internacional de Arte para a Bienal
internacional de Arte Contemporânea em Florença, Itália.
Obras do Artista
(clique nas imagens)
|
|